O pecado e a salvação

Introdução

Nesta lição vamos abordar um assunto tão complexo e de compreensão vital para a fé cristã: o pecado. Vamos falar sobre o pecado, sua origem, suas consequências e o plano de salvação de Deus para a humanidade. Abordarei de um modo simples e objetivo.

1. O que é o pecado?

O pecado é a falta de conformidade com a lei de Deus, em estado, disposição ou conduta. O pecado atinge toda a humanidade desde Adão (Gn 3; Rm 5:12). A recompensa do pecado é a morte física e o aprisionamento eterno (Rm 6:23). A palavra pecado tem origem no vocábulo grego “imartia”, que significa “errar o alvo”. O objetivo da humanidade é servir, agradar e louvar a Deus, pois para a sua glória é que foi criada (Rm 11:36).

2. Qual a origem do pecado?

O pecado teve origem no céu. Como vimos na lição anterior, todos os seres celestiais são criaturas (anjos, querubins, serafins, arcanjos e etc.) e havia um querubim formoso, forte, que comandava as estrelas do céu e servia diante de Deus, chamado Lúcifer (Ez 28:11-16). Um dia desejou ser semelhante ao Altíssimo (Is 14:14) e convenceu uma terça parte dos anjos (Ap 12:4). Ele quis ser igual ao Criador, mas era apenas criatura. Deus o julgou e o lançou dos céus abaixo, o qual caiu como um raio na terra e todos os anjos rebeldes também foram expulsos (Is 14:11-15).

Em Gênesis 3:1-5 Lúcifer falou com Eva através da serpente. O homem foi tentado no Paraíso e desobedeceu por que quis ser igual a Deus (Gn 3:5). Mas, Deus dissera a Adão que ele poderia comer do fruto das árvores do Jardim do Éden, menos de uma (Gn 2:16-17): da Ciência do Bem e do Mal. Deus fez esta proibição a Adão como um teste de fidelidade, pois ele quer que o ser humano o sirva por amor e por livre e espontânea vontade (Dt 6:5; Dt 10:12). Deus nos deu liberdade de escolha (livre arbítrio) assim como dera aos anjos. Ninguém é obrigado a servir a Deus. Só existe dois caminhos (Mt 7:13-14; Jl 3:14, Js 24:15), duas opções: uma leva ao céu (Jo 14:6) e o outra ao inferno (Rm 6.23). Todos nós já nascemos debaixo do pecado (Sl 51:5; Rm 3:23) e precisamos de salvação. A Bíblia relata alguns tipos de pecado (Pv.6:16-19; Gl 5:19; Sl 15; Rm 1:18-32; Ap 22:15 e etc).

3. As consequências do pecado

O pecado nos afasta de Deus (Is 59:2) e nos mata espiritualmente (Rm 6:23). Jesus certa vez declarou: “é necessário nascer de novo” (Jo 3:3,7). Jesus veio nos trazer vida e vida em abundância (Jo 10:10; Jo 11:25). Por causa do pecado, morremos e perdemos a comunhão com Deus. O homem precisava desesperadamente de um Salvador que corrigisse os seus passos, livrando-o do inferno e da morte eterna (Jo 14:16).

O pecado é algo levado muito a sério por Deus e quando a humanidade insiste em pecar ela atrai o juízo divino, pois todo pecado é contra Deus e como Deus é eterno a condenação também é eterna. O pecado contra um ser finito exige uma pena finita e o pecado contra um ser infinito exige uma pena infinita. O tempo da misericórdia é este, no qual Deus chama a humanidade ao arrependimento através do sacrifício de Jesus. Reflita sobre o que está escrito em João 16:7-11.

4. A promessa da Redenção

Deus ao expulsar o homem do Jardim do Éden, prometeu-lhe um Salvador (Gn 3:15) e séculos mais tarde, fez uma aliança com Abraão (Gn 12:3) dizendo-lhe que através de sua descendência viria a salvação. Era a promessa do resgate da humanidade e da reaproximação para com Deus já como filhos e herdeiros (Rm 8:17). Na aliança Abraâmica (Gn 12.3) o Senhor faz referencia a “todas as famílias da terra”, isso quer dizer: a todos os povos, línguas e nações.

5. O perdão no Antigo Testamento

Quando o homem foi expulso do Jardim do Éden, prontamente o Senhor sacrificou um animal (Gn 3:21), mostrando que o perdão é concedido mediante o sangue. Para Deus, sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9:22)!

Na Lei de Moisés, o perdão era concedido através de várias formas. Poderia ser pelo sacrifício de animais ou até a décima parte de um efa de flor de farinha (Lv. caps 4, 5, 6 e 7). Na maioria das vezes o perdão era obtido através do sangue de animal. Note nas referências anteriores que tinha que ser um animal perfeito para o sacrifício. O homem errava e os animais inocentes pagavam a conta. Não bastava o mal que faziam a si mesmo e aos outros, tinham de colocar a vida dos animais em risco. E o homem não se arrependia, não mudava as suas atitudes e se acostumou com o ritual transformando-o em mera formalidade, a ponto de Deus declarar não aguentar mais aqueles sacrifícios (Is 1:11; 1 Sm 15:22). Ainda hoje muitos crentes se acostumaram ao tic-tac do relógio que insiste em badalar pequei-perdão.

6. O sacrifício de Jesus

Deus olhou de cima a baixo e não viu um justo (Sl 14:2-3; Sl 53:1 / Rm 3:10-11), o mundo jazia mergulhado no pecado (Rm 3:23). Assim Deus chegou ao ponto de destruir o mundo em um dilúvio para recomeçar apenas com a família de Noé que era um homem santo. Mas a natureza humana já estava desgraçada pelo pecado. Era então necessário um grande e perfeito sacrifício, de um Cordeiro santo que através do seu sangue pudesse apagar os pecados de todos. Jesus é o Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo (Jo 1:29). Fez-se necessário o sacrifício de Jesus na cruz do calvário, para que pudéssemos ser livres da lei do pecado (Rm 6:14; 8:2) e tornássemos criaturas novas (Jo 3:1-7) nascidos de Deus (Jo 1:12-13) e para que se cumprissem as profecias. Os pecadores não tiraram a vida de Jesus; ele a entregou por nós no calvário (Jo 10:14-18).

7. O poder do Sangue de Jesus

O sangue do Cordeiro de Deus sacrificado na cruz do Calvário tem o poder de perdoar os pecados de todo àquele que reconhece Jesus como o Salvador de sua alma. Não existe mais condenação eterna para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8:1). Somos declarados justos pelo sangue de Jesus (Rm 5:9; Cl 1:14; Hb 13:12). Deixamos de ser um pecador perdido para se tornar um pecador arrependido, uma nova criatura em Cristo. Com a exceção ao pecado de blasfêmia ao Espírito Santo (que é o ato de creditar algo realizado por Deus, como feito pelo diabo – Mt 12:22-32), todos os demais pecados praticados pela alma arrependida são lançados no mar do esquecimento (Is 1:18; Jr 31:34; Rm 5:20-21; Hb 8:12). Pense nisso: se Deus não quer se lembrar dos nossos pecados cometidos e perdoados, por que então iríamos querer lembrar? O velho homem morreu, a velha história foi apagada e Jesus nos deu uma vida nova.

8. Aos que olham para trás.

O desejo de Deus é que a partir do momento que o conheçamos, nunca mais olhemos para trás. Abrimos mão do pecado, do erro e de toda prática que Deus odeia das quais Jesus nos libertou. O nosso dever é prosseguir para o alvo que é Cristo, aguardando a sua volta nos céus em poder e grande glória para levar para si os seus fiéis. O escritor aos hebreus declara: “Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10:38). Deus não tem prazer naquele que olha para traz e decide largar tudo o que conquistou para voltar às trevas seduzido pelos prazeres do mundo. O apóstolo João também declarou: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15). O apóstolo Pedro comparou o cristão que se desvia do caminho do Senhor como o limpo que volta para lama igual ao cão ou porco: “Deste modo, sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito; a porca lavada, ao espojadouro de lama” (2 Pd 2:22).

Atualmente nós somos templo e casa de Deus. Antes, não éramos. Quando aceitamos a Jesus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo vieram morar em nós e limparam a casa que estava suja para que fosse habitada por eles. Veja: “Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” João 14:23; “Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” 2 Timóteo 1:14. E quando deixamos de seguir a Jesus, eles vão embora deixando a casa vazia. Sobre isso Jesus contou algo assombroso: “E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então, diz: Voltarei para a minha casa, donde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má. disse que aquele que volta para o pecado” (Mt 12:43-45).

Portanto deixar de crer e obedecer a Jesus Cristo e a sua Palavra é cometer o pecado da apostasia e sobre isso o escritor aos Hebreus declara: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério” (Hb 6:4-6). Há de se fazer uma diferença entre os que se desviam (desviados) do caminho do Senhor e continuam crendo nas verdades bíblicas e os que deixam de crer e negam a partir de então todas as verdades bíblicas rotulando-as como mentiras. A esses nós chamamos de apóstatas da fé.

Josué 24:15 “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”.

Graça e paz!

Pr.Bezaleel

Pastor, teólogo e pai de família.